• Cultura

    Segunda-Feira, 18 de Dezembro de 2017

    O fotógrafo Yevgen Nikiforov começou a se interessar pelos mosaicos que via espalhados pelas cidades da Ucrânia, no final de 2013, quando passou a registrar alguns deles para o capítulo de “obras de arte monumentais” do livro The Art of the Ukrainian Sixties. Mas, ao reparar o quão mal documentado eram muitos dos mosaicos mais icônicos, o artista foi além e passou a tirar fotos de forma sistemática – até publicar um livro inteiro sobre o assunto.

    O livro “Decommunized: Ukrainian Soviet Mosaics”, inclui cerca de 200 fotografias exclusivas de painéis monumentais. Eles estampam pelas ruas de todo o país os rostos de camponeses, engenheiros, astronautas e outros símbolos do período soviético. São criações que, na sua maioria, serviram como parte da propaganda soviética, mas para o fotógrafo já foram ressignificadas e passaram a ter status de obra de arte.

    A maioria dos mosaicos registrados foi criada após a morte de Stalin, em 1953, e antes da dissolução da União Soviética em 1991, mas estão em condições precárias e correm o risco de desaparecer, devido as chamadas leis de descomunicação que proíbem símbolos e slogans comunistas. Hoje, Yevgen Nikiforov já documentou mais de 1.000 mosaicos (e outras obras públicas monumentais), dos quais ao menos 50 já foram removidos.

    Grandes e coloridos, encontrá-los nem sempre é fácil. Em sua busca, Nikiforov pesquisou em revistas antigas de arte soviética e álbuns de fotos online, além de conversar com artistas idosos. Um trabalho investigativo que para muitos vai além do seu valor de registro histórico, e chama atenção por, como muitas obras de arte, levantar questões mais profundas sobre como lidar com patrimônios artísticos de teor controverso.

    Embora o conteúdo da arte soviética tenha sido minuciosamente controlado pela propaganda estadual, os artistas ucranianos conseguiram desenvolver uma linguagem visual que transcenda o cânone realista socialista. Hoje essas obras servem de testemunho histórico e mostram uma nova página importante na história da arte do século XX.

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