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    Domingo, 04 de Janeiro de 2015
    O soberano pudim

    Muitos doces consumidos no Brasil têm sua origem arraigada nas tradições portuguesas. Com o amado pudim não é diferente. Mas existem duas versões para seu surgimento.

    Uma linha defende que o doce deriva de uma receita de um abade português. A iguaria era cozida em banho-maria e levava gemas, açúcar, água e toucinho de porco. A outra versão garante que vem de um tal “pudim republicano”, uma releitura mais leve e mais cremosa feita com os ingredientes do famoso doce português toucinho do céu.

    Em terras brasileiras, o problema dessa sobremesa era o ponto. O leite gordo deveria ser fervido lentamente. As gemas batidas com açúcar eram acrescidas ao leite fumegante, junto com a farinha de amêndoas. Essa fervura deveria ser mexida por horas a fio antes de ser derramada no tacho forrado com uma calda dourada de açúcar grosso. Só então poderia ser assado em banho-maria.

    Depois de pronto, ainda precisava de muitas horas para esfriar, antes de ser desenformado. Uma trabalheira danada. Muitas moças dessa época devem ter conquistado seus maridos por conhecerem os segredos do tal pudim.

    Entre dois séculos de história muito leite derramou e muito pudim desandou para que a sobremesa tivesse o sabor e a popularidade dos dias atuais. No meio disso, um divisor de águas: a história e o sucesso do pudim podem ser medidos antes e depois da latinha que tem a mocinha estampada.

    O pudim como conhecemos hoje surgiu no Brasil no fim do século XIX, com a importação de latas de leite condensado vindas da Nestlé suíça. Numa bela jogada de marketing, o fabricante descobriu que colocar receitas nas embalagens aumentava a venda do produto. Fazer o pudim republicano com leite condensado era muito mais prático e rápido. Pronto, estava instalado o reinado do pudim. O pudim de leite é consenso. As preferências são um gosto à parte: com ou sem furinhos, mais cremoso ou mais durinho, com calda mais queimadinha ou mais clarinha, o fato é que a sobremesa é unanimidade entre os brasileiros. O tradicional almoço de família, aos domingos, quase sempre termina em pudim.

     

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