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    Sexta-Feira, 06 de Fevereiro de 2015
    Um museu emblemático em Lyon

    Com arquiteturas espetaculares e uma peregrinação de visitantes em busca de conhecimento, os museus se transformaram em espécies de igrejas e templos do mundo contemporâneo. Lyon, a segunda maior metrópole e terceira maior população da França, certamente verá o fluxo de turistas aumentar por conta da abertura mês passado do MUSÉE DES CONFLUENCES. A localização deste museu de 238 mil m² é mais do que especial: a ponta da península criada artificialmente, no início do século 20, no exato ponto onde os rios Ródano e Saône se confluem – daí vem, aliás, seu nome.

    De longe, o prédio todo de AÇO – mais de 6.600 toneladas – parece uma NAVE ESPACIAL que aterrissou na cidade. Conforme o caminho que se pega até o museu, a visão da sua arquitetura varia consideravelmente. O ESTILO DESCONSTRUTIVISTA do prédio, um pouco hostil quando se chega perto, foi assinado pela Coop Himmelb(l)au, agência austríaca que deslanchou na mesma época outros starchitects como Zaha Hadid, Daniel Libeskind e Frank Gehry.

    A sensação quando adentra-se no hall de entrada, todo de vidro e aço, é de estar dentro de um CRISTAL. A inspiração veio da própria turbulência do choque entre os dois cursos de água. A estrutura, análoga daquela usada na construção de pontes, sustenta sozinha os espaços de exposição, acessíveis através de escada rolante e uma rampa espiral. De fora, o resto do edifício lembra uma NUVEM DE AÇO facetada e angular – são essas “novas geometrias” que dão personalidade a uma construção.

    A COMPLEXIDADE da obra refletiu tanto no prazo (o atraso foi de quase 14 anos) quanto no orçamento (dos 60 milhões previsto, o budget passou para 253 milhões de euros). Apesar de algumas críticas quanto a isto, o Musée des Confluences também foi pensado para dar uma segunda vida a um bairro até então abandonado em Lyon. Daqui a alguns meses, deve ficar pronta a segunda parte do projeto, que também é URBANÍSTICO. Quando os visitantes atravessam o “cristal” do museu, chegam num PASSEIO PÚBLICO e num PARQUE com CICLOVIAS de frente para os rios onde devem acontecer mil e uma atividades.

    A museologia do espaço também foi pensada para atrair o maior número de pessoas. Sem ser dividida por áreas, como em instituições mais tradicionais com salas divididas em ciências, arte, etnografia e antropologia, o museu optou por misturar todas as suas disciplinas. A organização foi feita em torno de QUESTÕES UNIVERSAIS: de onde viemos, o que acontece depois da morte, qual é o lugar do homem na biodiversidade. Nenhum lugar melhor para pensar em assuntos tão existenciais como a vista para a confluência dos dois rios do museu.

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