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    Sábado, 28 de Março de 2015
    Biografia mostra Sebastião Salgado como um grande contador de histórias

    (Le Sel de la Terra, documentário, França/Brasil, 2014)

    De Juliano Salgado e Wim Wenders. Com Hugo Barbier, Jacques Barthélémy, Juliano Ribeiro Salgado, Lélia Wanick Salgado, Sebastião Salgado, Wim Wenders e outros.

     

    Muitos nem sabiam, mas entre os indicados ao Oscar 2015 havia um representante brasileiro – ou, pelo menos, metade brasileiro: “O Sal da Terra”, documentário sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, dirigido pelo filho dele, Juliano Salgado, e por Wim Wenders, que chega aos cinemas trazendo uma verdadeira aula de fotografia, antropologia e, principalmente, História.

    O filme se mostra interessante tanto para quem ama fotografia quanto para quem não é tão íntimo desse universo. Na verdade, as imagens estonteantes clicadas por Salgado servem mais como ilustração para uma narrativa de aventuras do que como objeto propriamente dito.

    “O Sal da Terra” segue dois caminhos paralelos: um é a trajetória do artista, de economista a fotógrafo e de observador da miséria a agente de mudança; o outro é a trajetória do filho, da criança que nunca via o pai ao companheiro de viagens que o documenta.

    Difícil não se deixar levar por essa jornada ao redor do mundo. Partindo da Serra Pelada e passando pela Indonésia, Etiópia, Kuwait, Ruanda e Alasca, até surpreendentemente desembarcar na beleza de Galápagos – onde se deparam com uma tartaruga de centenas de anos. “Aquela tartaruga pode ter conhecido Darwin”, aponta o fotógrafo, amarrando as pontas de sua obra.

    De fato, é a História que conecta tudo: uma história de guerras e violência, mas também uma história de pessoas, extremamente parecidas apesar da distância geográfica. Cada quadro é descrito pelo artista não por suas características estéticas, mas pelas histórias que conta. “As duas crianças com olhos vivos sobreviveram; a de olhar mais apagado acabou morrendo”, lembra-se, diante de uma foto tirada para o projeto “África”.

    O fotógrafo recorda tantos detalhes porque, a cada viagem, instalava-se junto a uma comunidade durante meses, vivenciando suas maneiras e suas tragédias antes de captá-las em preto-e-branco. O resultado, como nota Wenders, é que Sebastião Salgado deixa de ser apenas um fotógrafo, para se revelar um grande contador de histórias, a quem gostaríamos de ficar ouvindo ao pé da lareira, horas a fio.

    Antes de estrear em circuito comercial, “O Sal da Terra” integrou o festival EcoFalante de Cinema Ambiental.

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